Tem-se falado cada vez mais nos últimos tempos de um fenómeno económico-social que afecta o nosso país e as outras nações e que inclusive, foi motivo para as Nações Unidas, este ano dedicarem-no como Ano Internacional, estamos a falar da desertificação. Descaracterizadas pela desertificação, muitas aldeias portuguesas estão condenadas a desaparecer. A emigração, ou êxodo, a procura de melhores condições de vida, levaram para longe os que podiam rejuvenescer estas cheias de tão pouco. As que ainda resistem são povoadas por idosos que acreditam que a calma seja a cómoda serenidade que arremata uma vida de trabalhos. Mas e quando não houver resistentes? A desertificação consiste no fenómeno de fuga da população do interior menos desenvolvido, para os grandes centos urbanos, sendo este fenómeno também chamado por êxodo rural. Este fenómeno tem como principal causa a procura de melhores condições de vida. A desertificação é um problema que tem afectado inúmeras aldeias do interior de Portugal, pois a população que reside nessas localidades depara-se com vários problemas que vão, desde a falta de emprego, inexistência ou dificuldade de acesso a cuidados de saúde e educação. A população abandona as suas aldeias e desloca-se em direcção aos grandes centros urbanos, perdendo-se assim alguma parte das suas raízes identidades, cultura e algumas tradições da sua região de origem. A desertificação da população no interior de Portugal tem como consequência a deslocação e a escassez de pessoas qualificadas. Isto por sua vez vai dificultar o crescimento económico e social sustentado, das várias regiões do país. Demograficamente o litoral tem crescido à custa do despovoamento do interior, o que leva a um envelhecimento causado pelo declínio da fertilidade nesta zona. Denota-se daí uma sobrelotação das áreas urbanas, e por consequência a degradação da qualidade de vida nas grande cidades, como falta de habitação condigna, poluição, trânsito, problemas na resposta do Serviço Nacional de Saúde. Contudo longe deste fenómeno encontra-se Lobelhe. Lobelhe conta com uma população bastante jovem, podemos ver pelas estatísticas enquanto se verifica o encerramento de algumas escolas do concelho, Lobelhe no ano lectivo 2002/2003 contava com um total de 16 alunos, repartidos 2 pelo primeiro ano, 6 pelo segundo ano, 6 pelo terceiro ano, 4 no quarto ano, contando com dois docentes e uma taxa de aprovação de 95,7 %, já no ano lectivo 2004/2005 contava com 15 alunos repartidos por 2 alunos; 6; 5 e 3 respectivamente pelos 4 anos do ensino básico regular. O facto também a salientar é que cerca de 5% da população de Lobelhe encontra-se a frequentar o ensino básico, o que é bastante salutar. (Para o próximo ano lectivo a escola contará com 24 alunos, cerca de 7,4% da população). Para informação mais detalhada remeto á seguinte fonte:
mapa distribuído pela DREC Numa abordagem cronológica, importará compreender que o fenómeno se começou por dever a dois factores preponderantes: a baixa natalidade e as fracas condições oferecidas nas aldeias, quando comparadas com as da cidade. Mas findo os seus estudos, e há medida que se entra na idade de inserção na vida actica, que perpectivas, tem os jovens? Bem na minha opinião e segundos dados que li, a falta de perpectivas de emprego, não é um problema que afecte directamente os jovens de Lobelhe e do concelho, pois apesar de a população agrícola ter vindo a decaír, e o sector dos serviços também não aumentar ( pois este localiza-se, nas grandes cidades, e capitais de distrito), a região conta com um sector industrial em franca expansão. Podemos exemplificar com o grupo Visabeira, Citroen Lusitanea; Visabeira; Labesfal, Avicasal. Lobelhe encontra-se geograficamente bastante bem localizado, não é como muitas aldeias do nosso país, que enfrenta problemas de isolamento. Está a meia dúzia de Km da vila de Nelas, outros tantos da Cidade de Mangualde, e a menos de 20 Km da cidade de Viseu, além de encontrar, execelentes vias de comunicação, actual IP5 , futura A25, tem ao seu dispor polos universitários a exemplo o ( Instituto Piaget, e o Instituto Superior Politécnico de Viseu ) , também não podemos esquecer as termas de Alcafache, um polo dinamizador do turismo, da região. Apesar destas condições favoráveis, julgo que seria impetuoso, uma certa acção e dinamismo por parte do poder central e local, de modo a prender as populações, é um facto que a regionalização estar consagrada na nossa constituição não foi nem se prevê que vá avante, no entanto, julgo que a nível de poder central, se deveria baixar, as taxas de IRS, á semelhança do que aconteçe com as regiões autónomas, assim como uma redução da taxa de IRC, bem como um aumento do numeros clausulus nas Universidades do Litoral, o que implicaria uma deslocação das empresas e das Universidades, para fora do Litoral. A nível do poder local, incentivos ao investimento através de uma redução da taxa da Derrama, criação de ninhos e polos empresarias, com boas vias de comunicação. Assim se conseguiria um crescimento mais sustentável, e uma maior paridade a nível regional. Emigração, êxodo, não existe desde agora, lebramo-nos da década de 50 e 6o, com a emigração para a França, Alemanha, a deslocação, para Lisboa, acompanhada com a guerra colonial, porêm é certo estes desiquilibrios, eram compensados, por uma elevada taxa de Natalidade, no entanto penso que Lobelhe, não sofre nem sofrerá do problema da desertificação, nos próximos anos, apesar do êxodo continuar a existir, principalmente por aqueles que procuram uma vida melhor.